Passado.
Saudade, essas letras que por tanto tempo deixaram de me expressar. Agora um lapso, num acaso, me encontro diante delas. Não me lembro de muita coisa que escrevi, sorrio enquanto as leio em voz alta, a interpretação é agradável para alguém tão reservado.
Remorso, por não me lembrar. Talvez as palavras tenham vindo de outro alguém, talvez fosse o efeito do álcool ou prestidigitador. Vale-me a angústia tamanha pelo esquecer de tanta poesia. Talvez não me lembre por que foi um ato de exorcismo, foram-me arrancadas palavras que não voltaram; Sinto agora um prazer por não ser atacado por elas, foram apaziguadas em seu exílio. Suas tormentas se resolveram sozinhas.
E eu, que poderia ter feito eu, senão escrever? São memórias, lembranças e rascunhos de uma vida que tento tornar o mais plena possível, para valer a pena ser vivida.
Agora, nessa maré que vem, absorvo tudo, foram horas lendo, tantos risos, tantas dores, algumas lágrimas.
Surpresa, muitas palavras que não são minhas. Muitos amigos cultos e ocultos. Teimam em continuar por aí, enchendo de ritmo todo esse mundo.
Felicidade tranquila, por alforriar essas tantas coisas; mais uma vez. Por encontrar escritos e me rir de sua profundidade inesperada. Por não me lembrar do por que, do como, e interpretar de maneira diversa.
Por, inocentemente, apreciar o que fiz.
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