Diário.
III
“2 de Setembro, 1930. À noite, jogado na rua, me escondendo dos homens da lei.
Lembro-me de Teseu. Vago pela cidade, à procura de um fim. O fio que me prende são meus vícios;
Durante a manhã saí daquela poça de lama e tentei fazer-me em terras menos lodosas. Algo germinou em mim durante a estadia, creio que se chama asco.
Tudo nessa cidade remete somente a ela mesma. Corners, whores, what else. Não consegui escapar. Dinheiro não me falta, muito menos o despudor, mas dela não me é permitido sair.
Sou o aborto do concreto armado. A cidade com suas pernas putas abertas deixou-me escorrer por entre sarjetas e lembranças mortas. Não vivo, não sobrevivo, sou enquanto ela é, madre vadia.
Seus toscos dedos afagam o rancor de toda uma sociedade, vil, dada ao fracasso e a autodestruição. “
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