Diário.

18mai11

II

“29 de Agosto, 1930 anos depois de um certo homem ser crucificado.

Não sei bem a que compasso consegui me fazer ao meu quarto. Devo ter feito quatro paradas para despejar à rua com meu trato gástrico e conhaque. Escrevo mecanicamente e minhas letras (fazem) [ilegível] mas segue o relato:

Ao início do dia acerquei-me da vida da morena jovem com a senhoria. Soube que ela não recusaria umas tantas obscenidades por uns trocados. Tão cedo quanto pude, a avistei colocando ao escasso sol umas tantas roupas.

Sua aparência inspirava depravação no mais recatado dos mortais. O vento vinha-lhe de frente e moldava suas pernas, e o que havia entre elas. Sua tez morena forçava-me a inteligência com ilusões de seus gritos e gemidos, o olhar, deleite, boca escancarada enquanto o silêncio do êxtase a invadia e me fazia pulsar dentro de ti. Ah a formosura de teus braços me envolvendo em cumplicidade perante a natureza.

Fui ter com ela e nos encontramos em meu quarto. Durante esse período fiz coisas não dignas de nota.

Quando voltei ao quarto, à hora marcada, ela lá se encontrava, devidamente nua, semi-coberta naquele lençol cheio de imundície. Expressando enfado e tarefas atrasadas. Despido, fiz as honras da casa. Esforcei-me para que ela notasse isso. Tentei parecer mais másculo, mas o único ruído era a cama rangendo. Eu olhava a parede na qual a cama escorava, tentando me esconder daquilo, emptiness. Seu corpo cheirava a suor de outros homens, e agora havia o de mais um. Finalizado e um cigarro aceso, pedi para que permanecesse durante um tempo comigo.

A isso ela acatou agora percebo que foi por curiosidade, pois logo me perguntou o que seriam os papeis rabiscados sobre a mesa. Evidentemente não sabia ler, preferi dizer que se tratavam de um romance inacabado, na esperança de entretê-la pelo menos uma vez. Mas lançou-me um olhar de reprovação, achando que era subversivo e o padre não aprovava.

Como não dei resposta a isso, ela perguntou se eu teria mais dinheiro para amanhã. Cega ganância. Eu a mandei vir sempre que precisasse, sabendo que assim viria todos os dias.”



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