Mar que engole.
O desespero de uma certeza que se descobre incerta, nada é fixo.
Tudo vibra.
E então, quando a Terra vibra, louvemos a Deus por sua prima-obra. Prédios, casas, mesas e pessoas modulando e desfalecendo. Manda tudo ao chão, que teima em se afirmar bizarramente móvel.
Ninguém se culpa por isso, não há outro ponto de partida, construímos na terra. Depositar toscamente fés e crenças em algo tão maleável, em que outro lugar seria isso possível? Ninguém é culpado.
Não há como reagir quando todos seus apoios começam a tremer. O piso. A parede. O poste. Excentricidade. Medo. Fragilidade.
Certamente é um momento de excelência divina, onde tudo fica suspenso por nada.
Em que medida um prédio de vinte e dois andares, que escorre em um terremoto, é real? Qual a validade dessa arquitetura se é destruída por algo mais do que natural?
O homem, em sua sede, constrói em tudo o que consegue ver. O homem, em sua sede, vê tudo o que construiu desabar.
É a certeza de que tudo é incerto? Ou é a certeza que se baseou no solo errado?
Não sei. É o mar que engole.
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