Traços.
Minha avó queria ser cabeleireira.
Foi em Paris, em seus breves 8 anos, quando escapava com a família de uma sombra que para ela não tinha sentido. Foi na idade na qual as crianças tramam seus futuros inocentemente. Foi quando viu, e ficou fascinada.
Mas a resposta de sua mãe foi rigorosa. Não é coisa para moças, disse em seu severo alemão, coisas que crianças não entendem.
Foi nessa época que algo mudou. A transgressão de valores. Algo tão complexo como uma menina não entende a simples noção dos bons costumes. Nada é revolucionário o suficiente para a imaginação fértil. Exceto, evidentemente, a presença materna.
Quatro anos depois, já uma moça, decide se tornar artista, sonhos de óleos sobre tela e exposições e coisas grandiosas e sem inocência alguma. Tomara umas aulas, devidamente escondidas, com alguém da vila. Porém, enquanto domava o pincel, acabara descoberta. Seus atos não foram nem dignos de um castigo. Sua mãe ergueu a cabeça em desprezo, algo indevidamente violento.
Isso se foi com os anos.
Hoje, pinta com liberdade, descobrindo algo diverso do que era aquela vida. Uns traços inocentes, sem firmeza, que nunca tiveram tempo de crescer.
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Uns traços inocentes, sem firmeza, que nunca tiveram tempo de crescer.
beije ela por mim.
Fy